No oitavo andar, mesmo descalço, estou distante da superfície. Há uma montanha de cimento e ferro entre meu corpo e a terra que produz alimentos e flores, abre-se em rios e mares, acolhe pedras e absorve chuvas.
Desço e, a caminho do trabalho, sou transportado por um veículo que me mantém a certa distância do dorso do Planeta. Trafego por avenidas que já forma rios e ruas que vedam as costas de nossa morada cósmica com uma densa camada de asfalto.
Subo no elevador, essa caixa metálica que nos distribui por salas e escritórios, marionetes agitadas de um gigante invisível que ri de nossa sofreguidão. À hora do almoço, piso calçadas espessas com meus pés cobertos por grossas solas de material sintético.
Nunca deixo meu corpo em contanto direto com a mãe Gaia. Meu computador tem um fio-terra, mas eu não. Guardo em mim toda energia acumulada, excessiva, que dilata gorduras que entopem artérias, faz desabrochar úlceras, prepara o coração para o infarto e aquece a tensão quem me torna irritadiço e estressado.
Não tenho nenhum canal aberto por onde a energia acumulada possa fluir e descarregar. Não piso a relva para não sujar os pés; temo me arranhar na aridez das pedras; e quase nunca mergulho no mar, cuja salinidade opera o descarrego do corpo.
Ser aéreo, trafego sem contato direto com o Planeta que é minha terra mátria. Dele sugo a vida e minha própria história biológica e psíquica. Nosso percurso rumo à vida teve início, juntos, há 3,5 bilhões de anos, quando começou a resfriar o calor que revestia este fragmento de Sol.
Carregado pela fita isolante que me envolve, não piso na Terra e, por isso, piso em meus semelhantes. Impaciente, reajo bravo a todo contratempo e trago a intolerância como escudo. Sou um filho de Gaia que cortou o cordão umbilical, como se eu pudesse dispensar o leite materno.
Já não intercambiamos energias. Meus pés, guarnecidos por meias e sapatos, servem apenas para movimentar as pernas. Assim, isolo meu corpo e isolo o corpo do Planeta, escondendo-o sob pedras, areia, asfalto e prédios.
Enterro a Terra. Sem me dar conta de que, de fato, construo minha própria tumba, tão lacrada quanto a dos faraós. A diferença é que eles as ocuparam quando mortos. Eu ocupo um espaço muito mais amplo do que as pirâmides. Vivo no imenso sarcófago da megalópole, cujos shopping-centers são pirâmides estilizadas. Ouço cada vez mais o sussuro dos mortos, e menos o hálito saudável de Gaia.
Sou um desterrado. E ainda insistem em me convencer de que isso é progresso.
sábado, 14 de novembro de 2009
terça-feira, 10 de novembro de 2009
ANÁLISE DO FILME “SHOW DE TRUMAN”
Discutir em duplas ou trios as questões levantadas abaixo e apresentar um relatório ao final:
1. O artificialismo da sociedade moderna
• As relações sociais e afetivas de Truman eram todas falsas. Sua mãe, seu pai, sua esposa, seu amigo eram falsos. Na sua vida e nas suas relações sociais e afetivas como é possível saber o que é real do que é falso, o que é consistente do que é inconsistente, o que é duradouro do que é temporário? Que critério você utiliza?
• A cidade de Truman parecia realmente uma cidade cenográfica, havia um artificialismo muito grande em tudo. Como você poderia identificar o artificial em nossa sociedade?
• No começo do filme a mulher de Truman diz: “para mim a minha vida particular e a pública são iguais.” Reflita sobre as conseqüências desse tipo de pensamento, ou seja, de confundir e misturar o público e o privado. Pense isso em termos sociais e políticos.
2. A sociedade “tevecêntrica”
• No filme, observamos que os telespectadores passavam o dia inteiro assistindo televisão. Na sociedade moderna a TV também ocupa um lugar de destaque. Antigamente as famílias se reuniam à noite para contar “causos”, os pais contavam sobre os acontecidos, as mães relatavam as travessuras dos filhos... Atualmente todos se reúnem diante da TV, na sala, onde é proibido falar, ela é o centro das atenções. Que reflexos podemos detectar desse tipo de comportamento para os grupos sociais, principalmente para a família?
• Em certo momento o diretor diz para Truman: “O mundo real é igual ao mundo que eu criei para você. Tem as mesmas mentiras, as mesmas decepções, mas no meu mundo você não tem nada a perder.” Por que, muitas vezes, nós preferimos a ilusão das telenovelas, dos Big Brothers à realidade que nos cerca?
3. A manipulação dos meios de comunicação de massa sobre a sociedade e sobre o indivíduo
• No filme, pudemos observar a todo momento como o show e a TV eram utilizados para vender produtos. O que sustenta um canal de TV é a venda de produto. Em que medida você se sente influenciado pelas propagandas? O que você faz ou não faz para superar essa influência?
• O diretor do Show de Truman agia como um deus, manipulando Truman e o público. Os donos dos meios de comunicação de massa em nossa sociedade agem da mesma maneira. Cite algumas medidas legais que poderiam ser tomadas para que o poder da imprensa não fosse tão grande.
• Truman foi preso desde bebê por um programa televisivo, não teve como se defender. No entanto, através de um esforço imenso, principalmente observando e refletindo sobre a sua realidade, ele conseguiu se libertar do mundo em que foi aprisionado. A nossa situação é bem melhor que a de Truman. Que ações ou comportamentos deveríamos ter para que não fiquemos tão presos e influenciados pelos meios de comunicação de massa?
“Bom dia! E caso não os veja novamente... Uma boa tarde e uma boa noite!”
ATIVIDADE 2: Trabalho individual – Show de Truman: parte 2 - A vida real
No final do filme, Truman decide sair do mundo artificial criado para ele e viver uma vida real. Você deverá elaborar uma crônica contando um episódio dessa nova vida. Como Truman irá se relacionar com as pessoas fora do seu show? Lembre-se que ele não construiu nenhuma relação realmente verdadeira em sua vida, tudo era falso: sua família, seu amigo, seu trabalho. Sua crônica deverá contar como serão suas relações sociais e afetivas. Truman aproveitará algum aprendizado social que teve no show ou partirá da estaca zero? Tente, invente, seja criativo.
1. O artificialismo da sociedade moderna
• As relações sociais e afetivas de Truman eram todas falsas. Sua mãe, seu pai, sua esposa, seu amigo eram falsos. Na sua vida e nas suas relações sociais e afetivas como é possível saber o que é real do que é falso, o que é consistente do que é inconsistente, o que é duradouro do que é temporário? Que critério você utiliza?
• A cidade de Truman parecia realmente uma cidade cenográfica, havia um artificialismo muito grande em tudo. Como você poderia identificar o artificial em nossa sociedade?
• No começo do filme a mulher de Truman diz: “para mim a minha vida particular e a pública são iguais.” Reflita sobre as conseqüências desse tipo de pensamento, ou seja, de confundir e misturar o público e o privado. Pense isso em termos sociais e políticos.
2. A sociedade “tevecêntrica”
• No filme, observamos que os telespectadores passavam o dia inteiro assistindo televisão. Na sociedade moderna a TV também ocupa um lugar de destaque. Antigamente as famílias se reuniam à noite para contar “causos”, os pais contavam sobre os acontecidos, as mães relatavam as travessuras dos filhos... Atualmente todos se reúnem diante da TV, na sala, onde é proibido falar, ela é o centro das atenções. Que reflexos podemos detectar desse tipo de comportamento para os grupos sociais, principalmente para a família?
• Em certo momento o diretor diz para Truman: “O mundo real é igual ao mundo que eu criei para você. Tem as mesmas mentiras, as mesmas decepções, mas no meu mundo você não tem nada a perder.” Por que, muitas vezes, nós preferimos a ilusão das telenovelas, dos Big Brothers à realidade que nos cerca?
3. A manipulação dos meios de comunicação de massa sobre a sociedade e sobre o indivíduo
• No filme, pudemos observar a todo momento como o show e a TV eram utilizados para vender produtos. O que sustenta um canal de TV é a venda de produto. Em que medida você se sente influenciado pelas propagandas? O que você faz ou não faz para superar essa influência?
• O diretor do Show de Truman agia como um deus, manipulando Truman e o público. Os donos dos meios de comunicação de massa em nossa sociedade agem da mesma maneira. Cite algumas medidas legais que poderiam ser tomadas para que o poder da imprensa não fosse tão grande.
• Truman foi preso desde bebê por um programa televisivo, não teve como se defender. No entanto, através de um esforço imenso, principalmente observando e refletindo sobre a sua realidade, ele conseguiu se libertar do mundo em que foi aprisionado. A nossa situação é bem melhor que a de Truman. Que ações ou comportamentos deveríamos ter para que não fiquemos tão presos e influenciados pelos meios de comunicação de massa?
“Bom dia! E caso não os veja novamente... Uma boa tarde e uma boa noite!”
ATIVIDADE 2: Trabalho individual – Show de Truman: parte 2 - A vida real
No final do filme, Truman decide sair do mundo artificial criado para ele e viver uma vida real. Você deverá elaborar uma crônica contando um episódio dessa nova vida. Como Truman irá se relacionar com as pessoas fora do seu show? Lembre-se que ele não construiu nenhuma relação realmente verdadeira em sua vida, tudo era falso: sua família, seu amigo, seu trabalho. Sua crônica deverá contar como serão suas relações sociais e afetivas. Truman aproveitará algum aprendizado social que teve no show ou partirá da estaca zero? Tente, invente, seja criativo.
Conceitos básicos para a vida social
Isolamento social
Aristóteles tinha razão ao afirmar: "o homem é por natureza um animal social". A vida em grupo é uma exigência da natureza humana. O homem tem necessidade dos seus semelhantes para sobreviver, para propagar e perpetuar a espécie e para realizar-se plenamente como pessoa.
A sociabilidade, a tendência natural para viver em sociedade, é desenvolvida através do processo de socialização. Este é um processo social global, através do qual o indivíduo se integra no grupo em que nasceu, assimilando o conjunto de hábitos e costumes característicos do grupo. Participando da vida em sociedade, aprendendo suas normas, valores e costumes, o indivíduo está se socializando. Quanto mais adequada a socialização do indivíduo, mais perfeitamente sociável ele se torna.
O isolamento social é a ausência de contatos sociais. Existem mecanismos que reforçam o isolamento social. Entre eles estão as atitudes de ordem social e individual. Entre as de ordem social temos os vários tipos de preconceitos (de cor, de religião, de sexo etc.). Um exemplo histórico bastante conhecido de preconceito é o anti-semitismo, voltado contra os judeus. Foi especialmente violento durante a Idade Média e, de 1933 a 1945, nos países dominados pela ideologia nazista. A África do Sul é outro exemplo de país onde existia uma legislação que afastava do convívio social uma parte da população: era o apartheid, que a minoria branca impunha à maioria negra, relegando seus membros à condição de cidadãos de segunda classe.
Como atitude de ordem individual que reforça o isolamento social podemos citar a timidez. O sociólogo Karl Mannheim considera que a timidez, o preconceito e a desconfiança são capazes de produzir um isolamento parcial semelhante ao ocasionado pelos defeitos físicos.
A história demonstra que o convívio social foi e continua a ser decisivo para o desenvolvimento da humanidade. As descobertas de um membro de um grupo, comunicadas aos outros, tornam-se estímulo e ponto de partida para aperfeiçoamentos e novas descobertas. Transmitidas de geração a geração, elas não se perdem com a morte de seus descobridores. O homem se guia pela inteligência: sobre o alicerce do instinto gregário ele edifica o convívio social, cujas formas se transformam de acordo com as mudanças que ocorrem em cada grupo e de acordo com as condições em que ele vive.
Contatos sociais
Ao dar uma aula, o professor entra em contato com seus alunos; o cliente e o vendedor de uma loja estabelecem contato na hora da venda de uma mercadoria; dois irmãos conversando também estabelecem um contato social.
O contato social é a base da vida social. É o passo inicial para que ocorra qualquer associação humana. Os contatos sociais podem ser:
• Primários: são os contatos pessoais, diretos, faca a face, e que têm uma base emocional, pois as pessoas neles envolvidas compartilham suas experiências individuais. São exemplos característicos de contatos sociais primários os que ocorrem na família entre pais e filhos, entre irmãos, entre marido e mulher, entre amigos. As primeiras experiências dos indivíduos se fazem com base em contatos face a face, como na família, nos grupos de brinquedo, na escola, na igreja etc.
• Secundários: são os contatos impessoais, calculados, formais; são mais um meio para atingir um determinado fim. Por exemplo, o contato do passageiro com o cobrador do ônibus, apenas para pagar a passagem; ou o contato do cliente com o caixa do banco ao descontar um cheque.
É importante destacar que as pessoas que têm uma vida baseada mais em contatos primários desenvolvem uma personalidade diferente daquelas que têm uma vida com predominância de contatos secundários. Um lavrador, por exemplo, apresenta uma personalidade bastante diversa da de um executivo.
Com a industrialização e a conseqüente urbanização, diminuíram os grupos de contatos primários, pois a cidade é a área em que há mais grupos nos quais predominam os contatos secundários.
As relações humanas nas grandes cidades são fragmentadas e impessoais devido aos contatos sociais secundários. A proximidade física não quer dizer proximidade afetiva numa metrópole onde a violência é grande. A vida na metrópole facilita os conflitos; um exemplo de individualismo cultivado nas grandes cidades é a briga de vizinhos.
Comunicação
A comunicação é vital para o homem enquanto ser humano social e para o desenvolvimento de qualquer cultura.
O principal meio de comunicação que o homem possui é a linguagem. Através da linguagem ele atribui significados aos sons articulados que emite; isso é possível porque ele é dotado de inteligência. Graças à linguagem, o homem pode transmitir seus pensamentos e sentimentos a seus semelhantes, bem como passar aos descendentes suas experiências e descobertas, fazendo com que o conhecimento por ele adquirido não se perca com a sua morte.
À medida que as sociedades tornaram-se mais complexas, os meios de comunicação foram se aperfeiçoando. Um grande avanço foi o surgimento da escrita, na Mesopotâmia, por volta de 4000 a.C. A invenção da imprensa por Gutenberg, no século XV, foi outro passo importante. No século passado e neste assistimos a invenção do telégrafo, do telefone, do rádio, do cinema, da televisão, do telex e da comunicação por satélite.
Através desses meios de comunicação, os fatos, as idéias, os sentimentos, as atitudes, as opiniões são compartilhadas por um conjunto enorme de indivíduos e atingem um grande número de países. Segundo o especialista em comunicação Marshall Mcluhan, o mundo moderno é uma autêntica "aldeia global", onde os fatos, opiniões e modos de vida são compartilhados pela maioria. Os meios de comunicação de massa moldam as idéias e opiniões de inúmeras pessoas.
Interação social
Quando dá uma aula, o professor está em contato social com seus alunos e estabelece comunicação com eles. Os alunos aprendem coisas; seu comportamento, portanto, sofre uma modificação. Também o comportamento do professor sofre modificações: sua explicação é diferente de uma classe para outra, ele detém-se num ponto mais difícil e pode até mudar de opinião depois de uma discussão em classe. Portanto, o professor influencia os alunos e também sofre influência deles. Dizemos então que existe entre eles uma interação social.
O aspecto mais importante da interação social é que ela provoca uma modificação de comportamento nos indivíduos envolvidos, como resultado do contato e da comunicação que se estabelece entre eles. Desse modo, fica claro que o simples contato físico não é suficiente para que haja uma interação social. Por exemplo, se alguém se senta ao lado de outra pessoa num ônibus, mas ambos não conversam, não está havendo interação social.
Os contatos sociais e a interação social constituem, portanto, condições indispensáveis à associação humana. Os indivíduos se socializam através dos contatos e da interação social.
A interação social pode ocorrer entre uma pessoa e outra, entre uma pessoa e um grupo ou entre um grupo e outro:
pessoa pessoa
pessoa grupo
grupo grupo
A interação assume formas diferentes. A forma que a interação social assume chama-se relação social. Um professor dando aula tem um tipo de relação social com seus alunos - a relação pedagógica. Da mesma forma, uma pessoa comprando e outra vendendo estabelecem uma relação econômica. Além dessas, as relações sociais podem ser políticas, religiosas, culturais, familiares etc.
A forma mais típica de interação social, como vimos, é aquela em que há uma influência recíproca entre os participantes. Mas alguns autores falam em interação social quando apenas um dos elementos influencia o outro. Isso acontece quando um dos pólos da interação está representados por um meio de comunicação apenas físico, como a televisão, o livro, uma gravação. Assim é que, quando um indivíduo assiste a um programa de televisão, ele pode ser influenciado pelo programa, mas não o influencia. Ocorre, nesse caso, uma interação não-recíproca. Neste tipo de interação, apenas um dos lados influencia o outro.
Assimilação
A assimilação é a solução definitiva e tranqüila do conflito social. Pela assimilação se suspendem os conflitos. Trata-se de um processo de ajustamento pelo qual os indivíduos ou grupos diferentes tornam-se mais semelhantes. Difere da acomodação porque implica em modificações internas no indivíduo ou no grupo, sendo geralmente inconsciente e involuntária. As modificações internas envolvem, pois, mudanças na maneira de pensar, sentir e agir.
A assimilação processa-se por um mecanismo de imitação, exigindo um certo tempo para se realizar. É um processo longo e complexo.
O exemplo típico de assimilação é o do imigrante. Ele, que a princípio, se acomodou num novo país, vai sem perceber, se deixando envolver pelos costumes, símbolos, tradições e língua da nova pátria.
No Brasil, tivemos os casos da assimilação dos alemães em Santa Catarina e dos japoneses em São Paulo, entre outros. No início, esses imigrantes falavam línguas bastante diferentes da nossa, além de trazerem valores e costumes diversos. Enquanto esses elementos se mantiveram enraizados no espírito e nos hábitos dos imigrantes, cada grupo chegou a constituir um corpo estranho na sociedade brasileira. Viviam fisicamente próximos dos brasileiros, mas culturalmente ainda estavam longe. Somente quando as características marcantes de suas culturas de origem se atenuaram ou se desfizeram - sendo substituídas pelos hábitos e costumes brasileiros - é que os imigrantes puderam ser assimilados (e de fato o foram). Eles se desfizeram de sua primeira identificação cultural e passaram a se identificar com a nova cultura, tornando-se parte integrante da sociedade adotada.
Outro exemplo de assimilação é a conversão. O indivíduo convertido religiosamente, politicamente ou filosoficamente, abandona suas antigas atitudes, convicções e sentimentos, adotando os novos. Enquanto a revolução é um fenômeno social puramente exterior, a conversão é um fenômeno nitidamente interior.
Concluindo, o aspecto importante da assimilação é que ela implica uma modificação sensível da personalidade. O processo de assimilação atinge áreas profundas e extensas da personalidade, envolvendo valores e atitudes fundamentais. As modificações que ocorre dizem respeito à maneira de pensar, sentir e agir.
Acomodação
Quando, num conflito, um dos adversários derrota o outro, o derrotado, para não correr o risco de ser totalmente liquidado, aceita as condições impostas pelo vencedor. Ocorre uma acomodação, pois o vencido aceita as condições impostas, ficando numa situação de subordinação. A escravização dos vencidos, comum na Antigüidade, é um caso típico de acomodação.
Quando alguém cumpre uma lei ou segue um costume com os quais não concorda, só para evitar sanções, também se enquadra num caso de acomodação. Por exemplo, um estrangeiro que não aprecia o modo de vida do país em que mora acomoda-se a ele apenas para ficar bem com aqueles que o recebem. Normalmente, os imigrantes recém-chegados entram num processo de acomodação: deixam de lado sua língua e seus costumes, adaptam-se à nova vida. Tudo para se prevenir do pior: o conflito.
A acomodação é o processo social em que o indivíduo ou o grupo se ajustam a uma situação de conflito, sem que tenham sofrido transformações internas. É a solução superficial do conflito, porque este continua latente, isto é, pode ocorrer novamente. Isto ocorre porque na acomodação não há mudança de pensamentos, sentimentos e atitudes; as mudanças de comportamento são apenas exteriores.
Podemos dizer, portanto, que acomodação é o ajustamento de indivíduo ou de grupos apenas nos aspectos externos do comportamento. Ela provoca a diminuição do conflito. Este só desaparece com a assimilação.
Cooperação
A cooperação é a forma de interação social na qual diferentes pessoas, grupos ou comunidades trabalham juntos para um mesmo fim. São exemplos de cooperação: a reunião de vizinhos para limpar a rua; um grupo de pessoas que se organiza para fazer uma festa; um mutirão de moradores para construir um conjunto habitacional.
A cooperação pode ser:
• direta: compreende as atividades que as pessoas realizam juntas, como, por exemplo, o conserto da cerca de uma fazenda;
• indireta: é aquela em que as pessoas, mesmo realizando trabalhos diferentes, necessitam indiretamente uma das outra, por não serem auto-suficientes. Tomemos o exemplo de um médico e de um lavrador: o médico não pode viver sem o alimento produzido pelo lavrador, e este necessita do médico quando fica doente.
Competição
O comerciante que procura conquistar os fregueses de outro comerciante e os estudantes que lutam por uma vaga no vestibular estão todos envolvidos numa competição.
Há sociedades que estimulam mais a competição que outras. Entre as tribos indígenas, geralmente não há um "espírito competitivo" tão acentuado com em nossa sociedade. As sociedades modernas - principalmente nos países capitalistas - estimulam os indivíduos a competirem em todas as suas atividades - na escola, no trabalho e até no lazer.
A competição é uma força que leva os indivíduos a agirem uns contra os outros, em busca de um melhor "lugar ao sol". A competição nasce da vontade de ocupar uma posição social mais elevada, de ter uma importância maior no grupo social, de conseguir riqueza ou poder etc.
Como nem todos podem "subir", e alguns não conseguem atingir seus objetivos, pode ocorrer o sentimento de inferioridade. Esse sentimento pode levar o indivíduo a reagir, a tentar se superar, como pode levá-lo a uma depressão e a um desânimo ainda maiores.
Conflito
Quando a competição assume características de elevada tensão social sobrevem o conflito. Freqüentemente vemos no noticiário dos jornais e da televisão relato de conflitos em diversas partes do mundo: combates na Colômbia entre o governo e as FARCs, motins e fugas em presídios, invasões de terras, guerras, atentados terroristas etc.
O conflito social é um processo pelo qual o homem provoca mudanças sociais. Tomemos como exemplo os negros norte-americanos. Depois de violentos choques com a polícia na década de 1960, eles conseguiram ver reconhecida uma série de direitos civis.
O conflito pode tomar forma de rivalidade, discussão, disputa, litígio e guerra. O conflito é bem evidente na luta entre partidos políticos, entre seitas religiosas e entre nações.
O conflito pode implicar violência ou ameaça de violência. Pessoas em conflito umas com as outras estão conscientes de suas divergências, havendo entre elas sentimentos adversos, como antipatia, rivalidade, ódio e crítica fortemente carregada de emoção. Os oponentes tendem, em geral, a não considerar as qualidades uns dos outros e a exagerar os defeitos, emitindo juízos pessoais e subjetivos.
No conflito, o primeiro impulso é tentar agredir ou destruir o adversário. Enquanto a competição é contínua, o conflito não pode durar permanentemente com o mesmo nível de tensão.
AVALIAÇÃO: CONCEITOS BÁSICOS PARA A COMPREENSÃO DA VIDA SOCIAL (duplas ou trios)
Utilizando os Conceitos Básicos para a Compreensão da Vida Social faça um comentário escrito relacionando estes conceitos com o texto abaixo( 20 a 30 linhas):
“A greve de qualquer categoria profissional é uma situação de conflito entre patrões e empregados. Uma sociedade estável, organizada e democrática controla o conflito. Limita-o com regras. As negociações coletivas entre os trabalhadores e a indústria são exemplos de conflitos limitados. Uma grande parte do conflito é canalizada pelos tribunais. Encerrado o conflito, novas relações podem surgir.” (Boudon, R. & Bourricaud, F. Dicionário Crítico de Sociologia. 1993.)
Relacione com este texto o máximo de conceitos básicos que conseguir, tais como, conflito, acomodação, competição, cooperação, assimilação, comunicação, isolamento, interação social, etc. Não se esqueça de relacionar e comentar.
* Não esqueça o cabeçalho completo.
Aristóteles tinha razão ao afirmar: "o homem é por natureza um animal social". A vida em grupo é uma exigência da natureza humana. O homem tem necessidade dos seus semelhantes para sobreviver, para propagar e perpetuar a espécie e para realizar-se plenamente como pessoa.
A sociabilidade, a tendência natural para viver em sociedade, é desenvolvida através do processo de socialização. Este é um processo social global, através do qual o indivíduo se integra no grupo em que nasceu, assimilando o conjunto de hábitos e costumes característicos do grupo. Participando da vida em sociedade, aprendendo suas normas, valores e costumes, o indivíduo está se socializando. Quanto mais adequada a socialização do indivíduo, mais perfeitamente sociável ele se torna.
O isolamento social é a ausência de contatos sociais. Existem mecanismos que reforçam o isolamento social. Entre eles estão as atitudes de ordem social e individual. Entre as de ordem social temos os vários tipos de preconceitos (de cor, de religião, de sexo etc.). Um exemplo histórico bastante conhecido de preconceito é o anti-semitismo, voltado contra os judeus. Foi especialmente violento durante a Idade Média e, de 1933 a 1945, nos países dominados pela ideologia nazista. A África do Sul é outro exemplo de país onde existia uma legislação que afastava do convívio social uma parte da população: era o apartheid, que a minoria branca impunha à maioria negra, relegando seus membros à condição de cidadãos de segunda classe.
Como atitude de ordem individual que reforça o isolamento social podemos citar a timidez. O sociólogo Karl Mannheim considera que a timidez, o preconceito e a desconfiança são capazes de produzir um isolamento parcial semelhante ao ocasionado pelos defeitos físicos.
A história demonstra que o convívio social foi e continua a ser decisivo para o desenvolvimento da humanidade. As descobertas de um membro de um grupo, comunicadas aos outros, tornam-se estímulo e ponto de partida para aperfeiçoamentos e novas descobertas. Transmitidas de geração a geração, elas não se perdem com a morte de seus descobridores. O homem se guia pela inteligência: sobre o alicerce do instinto gregário ele edifica o convívio social, cujas formas se transformam de acordo com as mudanças que ocorrem em cada grupo e de acordo com as condições em que ele vive.
Contatos sociais
Ao dar uma aula, o professor entra em contato com seus alunos; o cliente e o vendedor de uma loja estabelecem contato na hora da venda de uma mercadoria; dois irmãos conversando também estabelecem um contato social.
O contato social é a base da vida social. É o passo inicial para que ocorra qualquer associação humana. Os contatos sociais podem ser:
• Primários: são os contatos pessoais, diretos, faca a face, e que têm uma base emocional, pois as pessoas neles envolvidas compartilham suas experiências individuais. São exemplos característicos de contatos sociais primários os que ocorrem na família entre pais e filhos, entre irmãos, entre marido e mulher, entre amigos. As primeiras experiências dos indivíduos se fazem com base em contatos face a face, como na família, nos grupos de brinquedo, na escola, na igreja etc.
• Secundários: são os contatos impessoais, calculados, formais; são mais um meio para atingir um determinado fim. Por exemplo, o contato do passageiro com o cobrador do ônibus, apenas para pagar a passagem; ou o contato do cliente com o caixa do banco ao descontar um cheque.
É importante destacar que as pessoas que têm uma vida baseada mais em contatos primários desenvolvem uma personalidade diferente daquelas que têm uma vida com predominância de contatos secundários. Um lavrador, por exemplo, apresenta uma personalidade bastante diversa da de um executivo.
Com a industrialização e a conseqüente urbanização, diminuíram os grupos de contatos primários, pois a cidade é a área em que há mais grupos nos quais predominam os contatos secundários.
As relações humanas nas grandes cidades são fragmentadas e impessoais devido aos contatos sociais secundários. A proximidade física não quer dizer proximidade afetiva numa metrópole onde a violência é grande. A vida na metrópole facilita os conflitos; um exemplo de individualismo cultivado nas grandes cidades é a briga de vizinhos.
Comunicação
A comunicação é vital para o homem enquanto ser humano social e para o desenvolvimento de qualquer cultura.
O principal meio de comunicação que o homem possui é a linguagem. Através da linguagem ele atribui significados aos sons articulados que emite; isso é possível porque ele é dotado de inteligência. Graças à linguagem, o homem pode transmitir seus pensamentos e sentimentos a seus semelhantes, bem como passar aos descendentes suas experiências e descobertas, fazendo com que o conhecimento por ele adquirido não se perca com a sua morte.
À medida que as sociedades tornaram-se mais complexas, os meios de comunicação foram se aperfeiçoando. Um grande avanço foi o surgimento da escrita, na Mesopotâmia, por volta de 4000 a.C. A invenção da imprensa por Gutenberg, no século XV, foi outro passo importante. No século passado e neste assistimos a invenção do telégrafo, do telefone, do rádio, do cinema, da televisão, do telex e da comunicação por satélite.
Através desses meios de comunicação, os fatos, as idéias, os sentimentos, as atitudes, as opiniões são compartilhadas por um conjunto enorme de indivíduos e atingem um grande número de países. Segundo o especialista em comunicação Marshall Mcluhan, o mundo moderno é uma autêntica "aldeia global", onde os fatos, opiniões e modos de vida são compartilhados pela maioria. Os meios de comunicação de massa moldam as idéias e opiniões de inúmeras pessoas.
Interação social
Quando dá uma aula, o professor está em contato social com seus alunos e estabelece comunicação com eles. Os alunos aprendem coisas; seu comportamento, portanto, sofre uma modificação. Também o comportamento do professor sofre modificações: sua explicação é diferente de uma classe para outra, ele detém-se num ponto mais difícil e pode até mudar de opinião depois de uma discussão em classe. Portanto, o professor influencia os alunos e também sofre influência deles. Dizemos então que existe entre eles uma interação social.
O aspecto mais importante da interação social é que ela provoca uma modificação de comportamento nos indivíduos envolvidos, como resultado do contato e da comunicação que se estabelece entre eles. Desse modo, fica claro que o simples contato físico não é suficiente para que haja uma interação social. Por exemplo, se alguém se senta ao lado de outra pessoa num ônibus, mas ambos não conversam, não está havendo interação social.
Os contatos sociais e a interação social constituem, portanto, condições indispensáveis à associação humana. Os indivíduos se socializam através dos contatos e da interação social.
A interação social pode ocorrer entre uma pessoa e outra, entre uma pessoa e um grupo ou entre um grupo e outro:
pessoa pessoa
pessoa grupo
grupo grupo
A interação assume formas diferentes. A forma que a interação social assume chama-se relação social. Um professor dando aula tem um tipo de relação social com seus alunos - a relação pedagógica. Da mesma forma, uma pessoa comprando e outra vendendo estabelecem uma relação econômica. Além dessas, as relações sociais podem ser políticas, religiosas, culturais, familiares etc.
A forma mais típica de interação social, como vimos, é aquela em que há uma influência recíproca entre os participantes. Mas alguns autores falam em interação social quando apenas um dos elementos influencia o outro. Isso acontece quando um dos pólos da interação está representados por um meio de comunicação apenas físico, como a televisão, o livro, uma gravação. Assim é que, quando um indivíduo assiste a um programa de televisão, ele pode ser influenciado pelo programa, mas não o influencia. Ocorre, nesse caso, uma interação não-recíproca. Neste tipo de interação, apenas um dos lados influencia o outro.
Assimilação
A assimilação é a solução definitiva e tranqüila do conflito social. Pela assimilação se suspendem os conflitos. Trata-se de um processo de ajustamento pelo qual os indivíduos ou grupos diferentes tornam-se mais semelhantes. Difere da acomodação porque implica em modificações internas no indivíduo ou no grupo, sendo geralmente inconsciente e involuntária. As modificações internas envolvem, pois, mudanças na maneira de pensar, sentir e agir.
A assimilação processa-se por um mecanismo de imitação, exigindo um certo tempo para se realizar. É um processo longo e complexo.
O exemplo típico de assimilação é o do imigrante. Ele, que a princípio, se acomodou num novo país, vai sem perceber, se deixando envolver pelos costumes, símbolos, tradições e língua da nova pátria.
No Brasil, tivemos os casos da assimilação dos alemães em Santa Catarina e dos japoneses em São Paulo, entre outros. No início, esses imigrantes falavam línguas bastante diferentes da nossa, além de trazerem valores e costumes diversos. Enquanto esses elementos se mantiveram enraizados no espírito e nos hábitos dos imigrantes, cada grupo chegou a constituir um corpo estranho na sociedade brasileira. Viviam fisicamente próximos dos brasileiros, mas culturalmente ainda estavam longe. Somente quando as características marcantes de suas culturas de origem se atenuaram ou se desfizeram - sendo substituídas pelos hábitos e costumes brasileiros - é que os imigrantes puderam ser assimilados (e de fato o foram). Eles se desfizeram de sua primeira identificação cultural e passaram a se identificar com a nova cultura, tornando-se parte integrante da sociedade adotada.
Outro exemplo de assimilação é a conversão. O indivíduo convertido religiosamente, politicamente ou filosoficamente, abandona suas antigas atitudes, convicções e sentimentos, adotando os novos. Enquanto a revolução é um fenômeno social puramente exterior, a conversão é um fenômeno nitidamente interior.
Concluindo, o aspecto importante da assimilação é que ela implica uma modificação sensível da personalidade. O processo de assimilação atinge áreas profundas e extensas da personalidade, envolvendo valores e atitudes fundamentais. As modificações que ocorre dizem respeito à maneira de pensar, sentir e agir.
Acomodação
Quando, num conflito, um dos adversários derrota o outro, o derrotado, para não correr o risco de ser totalmente liquidado, aceita as condições impostas pelo vencedor. Ocorre uma acomodação, pois o vencido aceita as condições impostas, ficando numa situação de subordinação. A escravização dos vencidos, comum na Antigüidade, é um caso típico de acomodação.
Quando alguém cumpre uma lei ou segue um costume com os quais não concorda, só para evitar sanções, também se enquadra num caso de acomodação. Por exemplo, um estrangeiro que não aprecia o modo de vida do país em que mora acomoda-se a ele apenas para ficar bem com aqueles que o recebem. Normalmente, os imigrantes recém-chegados entram num processo de acomodação: deixam de lado sua língua e seus costumes, adaptam-se à nova vida. Tudo para se prevenir do pior: o conflito.
A acomodação é o processo social em que o indivíduo ou o grupo se ajustam a uma situação de conflito, sem que tenham sofrido transformações internas. É a solução superficial do conflito, porque este continua latente, isto é, pode ocorrer novamente. Isto ocorre porque na acomodação não há mudança de pensamentos, sentimentos e atitudes; as mudanças de comportamento são apenas exteriores.
Podemos dizer, portanto, que acomodação é o ajustamento de indivíduo ou de grupos apenas nos aspectos externos do comportamento. Ela provoca a diminuição do conflito. Este só desaparece com a assimilação.
Cooperação
A cooperação é a forma de interação social na qual diferentes pessoas, grupos ou comunidades trabalham juntos para um mesmo fim. São exemplos de cooperação: a reunião de vizinhos para limpar a rua; um grupo de pessoas que se organiza para fazer uma festa; um mutirão de moradores para construir um conjunto habitacional.
A cooperação pode ser:
• direta: compreende as atividades que as pessoas realizam juntas, como, por exemplo, o conserto da cerca de uma fazenda;
• indireta: é aquela em que as pessoas, mesmo realizando trabalhos diferentes, necessitam indiretamente uma das outra, por não serem auto-suficientes. Tomemos o exemplo de um médico e de um lavrador: o médico não pode viver sem o alimento produzido pelo lavrador, e este necessita do médico quando fica doente.
Competição
O comerciante que procura conquistar os fregueses de outro comerciante e os estudantes que lutam por uma vaga no vestibular estão todos envolvidos numa competição.
Há sociedades que estimulam mais a competição que outras. Entre as tribos indígenas, geralmente não há um "espírito competitivo" tão acentuado com em nossa sociedade. As sociedades modernas - principalmente nos países capitalistas - estimulam os indivíduos a competirem em todas as suas atividades - na escola, no trabalho e até no lazer.
A competição é uma força que leva os indivíduos a agirem uns contra os outros, em busca de um melhor "lugar ao sol". A competição nasce da vontade de ocupar uma posição social mais elevada, de ter uma importância maior no grupo social, de conseguir riqueza ou poder etc.
Como nem todos podem "subir", e alguns não conseguem atingir seus objetivos, pode ocorrer o sentimento de inferioridade. Esse sentimento pode levar o indivíduo a reagir, a tentar se superar, como pode levá-lo a uma depressão e a um desânimo ainda maiores.
Conflito
Quando a competição assume características de elevada tensão social sobrevem o conflito. Freqüentemente vemos no noticiário dos jornais e da televisão relato de conflitos em diversas partes do mundo: combates na Colômbia entre o governo e as FARCs, motins e fugas em presídios, invasões de terras, guerras, atentados terroristas etc.
O conflito social é um processo pelo qual o homem provoca mudanças sociais. Tomemos como exemplo os negros norte-americanos. Depois de violentos choques com a polícia na década de 1960, eles conseguiram ver reconhecida uma série de direitos civis.
O conflito pode tomar forma de rivalidade, discussão, disputa, litígio e guerra. O conflito é bem evidente na luta entre partidos políticos, entre seitas religiosas e entre nações.
O conflito pode implicar violência ou ameaça de violência. Pessoas em conflito umas com as outras estão conscientes de suas divergências, havendo entre elas sentimentos adversos, como antipatia, rivalidade, ódio e crítica fortemente carregada de emoção. Os oponentes tendem, em geral, a não considerar as qualidades uns dos outros e a exagerar os defeitos, emitindo juízos pessoais e subjetivos.
No conflito, o primeiro impulso é tentar agredir ou destruir o adversário. Enquanto a competição é contínua, o conflito não pode durar permanentemente com o mesmo nível de tensão.
AVALIAÇÃO: CONCEITOS BÁSICOS PARA A COMPREENSÃO DA VIDA SOCIAL (duplas ou trios)
Utilizando os Conceitos Básicos para a Compreensão da Vida Social faça um comentário escrito relacionando estes conceitos com o texto abaixo( 20 a 30 linhas):
“A greve de qualquer categoria profissional é uma situação de conflito entre patrões e empregados. Uma sociedade estável, organizada e democrática controla o conflito. Limita-o com regras. As negociações coletivas entre os trabalhadores e a indústria são exemplos de conflitos limitados. Uma grande parte do conflito é canalizada pelos tribunais. Encerrado o conflito, novas relações podem surgir.” (Boudon, R. & Bourricaud, F. Dicionário Crítico de Sociologia. 1993.)
Relacione com este texto o máximo de conceitos básicos que conseguir, tais como, conflito, acomodação, competição, cooperação, assimilação, comunicação, isolamento, interação social, etc. Não se esqueça de relacionar e comentar.
* Não esqueça o cabeçalho completo.
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
OS ROBOCOPS TOMARÃO NOSSO PLANETA?
A discussão que hoje se trava com mais intensidade entre os pensadores, filósofos, intelectuais deste mundo tecnocêntrico é a comparação entre o homem e a máquina. Nos Estados Unidos, há um centro de pesquisas com um grupo de pensadores preocupados com a questão da inteligência artificial. Eles acham que a máquina já superou o homem em muitas de suas atividades e pode tornar-se mais perfeita do que ele em praticamente todas. Partem do princípio de que o modo de pensar humano é baseado numa lógica identificável e que a partir de seu conhecimento, os robôs poderão apropriar-se deste procedimento e assim ultrapassar com vantagem o homem, na medida em que não terão seus aspectos negativos: perversidades, fraquezas, formas de corrupção, imoralidade, desonestidade, deslealdade entre outras.
Os pesquisadores norte-americanos chamados de “conexionistas” investigam inclusive a ligação possível entre homem e máquina por meio de um sofisticado sistema de neurônios que, de certa forma, imitaria o cérebro humano e permitiria às máquinas, com suas vantagens, pensar como homens. A ficção científica está cheia desses exemplos, que incorporam seres Robocops e todos esses andróides que povoam muitos filmes atuais.
Mas a discussão está marcada por um equívoco fundamental, provocado por um conjunto de informações erradas e também por uma concepção de mundo que não corresponde à realidade dos fatos. Geralmente, reduz-se o pensamento humano àquelas regras lógicas e elementares que os homens usam para raciocínios simples, como as lógicas matemáticas, as lógicas elementares de dedução e indução, entre outras, e parte-se do princípio que dominando essas lógicas chegar-se-ia a um aperfeiçoamento do homem através do seu duplo, a máquina.
O grande equívoco está no fato de que se toma aquilo que é uma invenção humana, fabricada para ser prolongamento do homem, para lhe facilitar as funções, como um equivalente do homem. É natural que em muitas atividades a máquina seja superior ao homem. Mas isto não se refere apenas aos computadores de quinta geração, que hoje dominam o mercado com seus dotes fascinantes. O automóvel, quando foi criado, superava o homem em seu caminhar, assim como o transporte por carruagem, na medida em que era mais rápido, mais confortável, melhor para o homem. E assim é com os demais equipamentos técnicos utilizados para executar trabalhos de forma mais eficaz que os homens. Até aí nada de novo.
Ocorre que o homem não se limita às funções elementares. É também um complexo de indeterminações, e isso o torna fascinante. Pode-se dizer que um computador seja capaz de pintar uma tela, de compor uma música, de fazer um poema, de escrever um livro. Isso nunca deixará, entretanto, de ser obra de computador. Será o resultado de um conjunto de informações dadas por homens, sobre as quais ele vai trabalhar e até criar. Mas é uma criação que parte de uma esterilidade técnica.
O homem, ao contrário, é total imprevisibilidade. Ele é racionalidade misturada com irracionalidade, sanidade com loucura, positividade com negatividade. Em suma, ao mesmo tempo que pode ser uma criatura racional, coerente, lógica, eficiente, também pode ser um sujeito carregado de dores, sofrimentos, ilusões, tristezas, angústias, melancolias.
Tudo isso faz parte de um espaço de liberdade que o homem tem exatamente por ser criador. A máquina também cria, de certa maneira. Ela caria a partir daqueles processos lógicos e matemáticos citados, a partir de dados que lhe são fornecidos. Ela desdobra esses dados e cria infinitamente novas possibilidades a partir deles, além de poder corrigir suas falhas e superá-las na medida em que aparecem num processo de permanente auto-reprogramação.
Mas o que distingue exatamente um ser vivo de um robô é aquilo que em todas as formas de cultura caracterizou uma intervenção humana num sentido absolutamente original. Uma máquina pode imitá-lo em todas as funções, mas lhe falta capacidade de converter-se em ser humano. Todas as imitações serão sempre formas derivadas de uma matriz que está fora da máquina. Só o homem é capaz de fantasiar, imaginar, produzir a partir do nada e também a partir de uma quantidade infinita de informações.
O homem, que criou a máquina e que a vê progredindo cada vez mais, desenvolvendo-se, superando suas próprias expectativas, há de constatar, em qualquer época, que ela não será um novo escravo. Não se repetirá, como na passagem de teocentrismo para o antropocentrismo, uma revolta da criatura contra seu criador, exatamente porque tanto a divindade quanto esse conjunto de sistemas técnicos e informáticos que temos aqui são, apesar da contestação da religião, obras do homem.
CIRO MARCONDES FILHO
Os pesquisadores norte-americanos chamados de “conexionistas” investigam inclusive a ligação possível entre homem e máquina por meio de um sofisticado sistema de neurônios que, de certa forma, imitaria o cérebro humano e permitiria às máquinas, com suas vantagens, pensar como homens. A ficção científica está cheia desses exemplos, que incorporam seres Robocops e todos esses andróides que povoam muitos filmes atuais.
Mas a discussão está marcada por um equívoco fundamental, provocado por um conjunto de informações erradas e também por uma concepção de mundo que não corresponde à realidade dos fatos. Geralmente, reduz-se o pensamento humano àquelas regras lógicas e elementares que os homens usam para raciocínios simples, como as lógicas matemáticas, as lógicas elementares de dedução e indução, entre outras, e parte-se do princípio que dominando essas lógicas chegar-se-ia a um aperfeiçoamento do homem através do seu duplo, a máquina.
O grande equívoco está no fato de que se toma aquilo que é uma invenção humana, fabricada para ser prolongamento do homem, para lhe facilitar as funções, como um equivalente do homem. É natural que em muitas atividades a máquina seja superior ao homem. Mas isto não se refere apenas aos computadores de quinta geração, que hoje dominam o mercado com seus dotes fascinantes. O automóvel, quando foi criado, superava o homem em seu caminhar, assim como o transporte por carruagem, na medida em que era mais rápido, mais confortável, melhor para o homem. E assim é com os demais equipamentos técnicos utilizados para executar trabalhos de forma mais eficaz que os homens. Até aí nada de novo.
Ocorre que o homem não se limita às funções elementares. É também um complexo de indeterminações, e isso o torna fascinante. Pode-se dizer que um computador seja capaz de pintar uma tela, de compor uma música, de fazer um poema, de escrever um livro. Isso nunca deixará, entretanto, de ser obra de computador. Será o resultado de um conjunto de informações dadas por homens, sobre as quais ele vai trabalhar e até criar. Mas é uma criação que parte de uma esterilidade técnica.
O homem, ao contrário, é total imprevisibilidade. Ele é racionalidade misturada com irracionalidade, sanidade com loucura, positividade com negatividade. Em suma, ao mesmo tempo que pode ser uma criatura racional, coerente, lógica, eficiente, também pode ser um sujeito carregado de dores, sofrimentos, ilusões, tristezas, angústias, melancolias.
Tudo isso faz parte de um espaço de liberdade que o homem tem exatamente por ser criador. A máquina também cria, de certa maneira. Ela caria a partir daqueles processos lógicos e matemáticos citados, a partir de dados que lhe são fornecidos. Ela desdobra esses dados e cria infinitamente novas possibilidades a partir deles, além de poder corrigir suas falhas e superá-las na medida em que aparecem num processo de permanente auto-reprogramação.
Mas o que distingue exatamente um ser vivo de um robô é aquilo que em todas as formas de cultura caracterizou uma intervenção humana num sentido absolutamente original. Uma máquina pode imitá-lo em todas as funções, mas lhe falta capacidade de converter-se em ser humano. Todas as imitações serão sempre formas derivadas de uma matriz que está fora da máquina. Só o homem é capaz de fantasiar, imaginar, produzir a partir do nada e também a partir de uma quantidade infinita de informações.
O homem, que criou a máquina e que a vê progredindo cada vez mais, desenvolvendo-se, superando suas próprias expectativas, há de constatar, em qualquer época, que ela não será um novo escravo. Não se repetirá, como na passagem de teocentrismo para o antropocentrismo, uma revolta da criatura contra seu criador, exatamente porque tanto a divindade quanto esse conjunto de sistemas técnicos e informáticos que temos aqui são, apesar da contestação da religião, obras do homem.
CIRO MARCONDES FILHO
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